Ame livre, seja livre.
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Posso casar com a criadora dos personagens mais lindos?❤️

  • sem nem pagar uma cervejinha antes?

  • Oi gente, alguém ai lendo a história que estou postando?

  • Capítulo 4 - Uma mulher autêntica

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    R E G I N A

    Eu havia me preparado bem para aquela primeira semana, não só na forma com que ia me comportar e no que eu ia vestir, como também com toda aquela contradição em meus sentimentos.

    Zelena sempre foi meu porto seguro e por mais que tenhamos muitas diferenças ainda mais quando se tratava da nossa mãe, eu meio que quase sempre me deixava levar pelo o que me dizia, então uma das coisas que resolvi implantar com Emma era que eu ia ser a melhor profissional do mundo com ela, nada mais que isso, que eu ia dar o meu máximo para deixar o meu lado “tirem essa garota daqui” não me subir a cabeça.

    No primeiro dia eu tive que me segurar algumas vezes para não repreender Emma, ainda mais que ela estava usando uma roupa horrível com cheiro de guardado, dei graças a deus quando no segundo dia ela apareceu impecável a altura do seu cargo, assim como nos dias que se sucederam.

    Bem diferente do que eu havia imaginado aquela semana passou longe de um pesadelo, junto ao meu perfeito desempenho a senhorita Swan se mostrou bem dedicada e silenciosa, o oposto do que e achei que seria já que Cora havia relatado muitas e muitas vezes o quanto ela era mal educada, com a língua afiada, atrevida e desaforada… talvez ela estivesse esperando o momento certo de mostrar as garras… ou talvez não… talvez minha irmã tivesse razão, talvez Cora tenha dito muitas coisas… e eu tinha mesmo era que tirar minhas próprias conclusões.

    Bem, já tirando as minhas próprias conclusões, aqueles primeiros dias me fizeram ter a esperança de que o período de aprendizado não me trariam grandes problemas e se ela continuasse naquela constância em menos de dois meses eu estaria livre dela.

    No sábado o jantar de ingresso da Emma na Swan Mills estava marcado para as sete da noite, mas David havia me pedido para chegar um pouco antes, então lá estava eu saindo do banho 4h da tarde para começar a me arrumar, confesso que gostava dos jantares da empresa, mas aquele em específico eu não estava animada… mas não exatamente só por ser da filha do David, era mais por Cora… eu estava zero afim de ter que lidar com ela e sua opinião formada em relação a construtora… eu estava em busca de paz, mas tudo que minha mãe sempre me fazia sentir era o oposto.

    De roupão parada no meio do closet tentando escolher alguma coisa a campainha tocou que de imediato me assustou, quem poderia ser?

    Olhei pelo olho magico e sorri feliz ao ver minha irmã.

    - Não acredito que você está aqui! – eu disse animada ao abrir a porta e abraçá-la, mas logo me separei ao tentar entender o motivo de sua visita surpresa – Você veio por causa do jantar da Emma? – perguntei séria ao lembrar que ela não havia ido ao meu anos antes.

    - Sim ela me convidou – respondeu ao entrar, eu fechei a porta em seguida.

    - Não acredito que você saiu lá do seu esconderijo para prestigiar a filinha do David – cruzei os braços incrédula.

    - Ain Regina… – sorriu de leve - sem ciúmes a essa hora, por favor – seu tom descontraído não amenizou minha chateação.

    - Zelena você não veio no meu jantar… no meu que sou sua irmã, a única que você tem, mas você veio no da Emma, como você não quer que eu fique com… fique indignada?

    - Ciúmes, se chama ciúmes! – ela riu da minha cara – vai fala “zelena minha irmã perfeita eu estou morrendo de ciúmes”

    - Cala a boca – eu sorri sem graça dando um leve empurrão em seu ombro. – mas é sério, eu estou desapontada que você veio para ver aquela menina mimada…

    - Para com isso… você sabe muito bem por que eu não vim no seu, eu estava grávida de 8 meses e meio do Roland, não tinha como… e nem se fossemos uma família normal eu conseguiria vir já que eu não ia poder entrar no voo tão perto de dar a luz.

    - Eu sei… mas mesmo assim…

    - Mesmo assim o que?

    - Nada – revirei os olhos – vamos deixar isso pra lá, vem me ajudar a escolher uma roupa.

    - Mas já está se arrumando? Emma disse que era as 7h.

    - É mas David me pediu para chegar antes…

    Zelena se sentou como uma espectadora de um desfile me assistindo provar várias de minhas peças, enquanto também contava por cima como estavam as crianças, o casamento e o trabalho. Depois de um tempo falando dela voltamos ao embate do que eu vestiria.

    - Por que não vai com o vestido branco? Ele ficou perfeito.

    - Não… não é o que e quero passar…

    - Como assim?

    - Ele é muito bom, mas não para essa ocasião, ele me mostra mais receptiva como se eu estivesse gostando de tudo isso, como se eu quisesse estar ali e apoiasse o ingresso da Emma na Swan Mills.

    - Então Emma tinha mesmo razão, por um momento acreditei que ela estava meio doida.

    - O que?

    - Ela me disse que as roupas que uma pessoa veste diz muito mais sobre ela do que a maioria pensa. – não quis concordar então sorri sem humor como resposta. – Eu nunca fui ligada a essas coisas, minha arte é outra, então quando ouvi Emma dizer que você tinha se vestido de uma forma para afastar ela eu achei aquilo meio engraçado e te escu – eu a cortei.

    - Calma – fiz um gesto para que parasse de falar – como assim ela foi te falar das minhas roupas? – eu fiquei meio brava já Zelena revirou os olhos com um sorriso.

    - Falei com ela na segunda a noite, perguntei como tinha sido o primeiro dia na Swan Mills com você, e é claro que ela tinha que falar de você né? Já que a pergunta foi essa… – ela abriu um pouco mais o seu sorriso ao me ver ainda de cara fechada – ela disse mais ou menos assim “a roupa dela exalava poder era tipo um aviso de não se aproxime”

    Lembrei-me da roupa de segunda e deixei um leve sorriso escapar ao lembrar de pensar algo naquele nível quando escolhi o terno vermelho… é Emma era mais esperta do que eu achava e de alguma forma aquilo me deu um certo gás.

    - É… ela é observadora e consegue ler bem os meus sinais, isso já adianta muita coisa.

    - Mas e você… me conta vai… como foi sua semana com a “mimada rebelde”? – fez uma vozinha debochando de mim.

    Enquanto eu relatava sem emoção os ocorridos da semana eu optei em vestir com um macacão azul marinho com manga curta e zíper na frente, ele era exatamente o que eu queria passar, neutralidade, não queria estar naquele jantar como alguém que apoia, mas também não queria mostrar que era do contra.

    Zelena e eu terminamos de nos arrumar no tempo certo, com sorte voltaríamos logo depois dos brindes oficiais e ainda teríamos tempo de tomar um vinho só nós duas junto as muitas histórias atrasadas.

    - Então… – Zelena parou ao meu lado no espelho enquanto eu checava se estava tudo certo.

    - Fala – continue a me olhar, mas ao ver que ela não prosseguia eu a encarei pelo reflexo. - Vai fala!

    - Eu vim direto para cá para isso mesmo acontecer – ela também me olhava através o espelho - para gente se arrumar juntas… e irmos juntas para o jantar…

    - Mas? – eu me virei para olhar diretamente para ela.

    - Vim para passar esse tempo com você, mas depois do jantar eu vou para casa da Emma, ela me chamou para conhecer seu apartamento novo.

    - Hum… – foi meio que um banho de água fria, eu estava mesmo esperando passar um tempo com minha irmã - achei que íamos tentar voltar logo depois do brinde para ficarmos lá em cima tomando vinho e colocando todas os papos em dia…

    - Eu sei que sim… mas vai… a mãe morreu, ela é filha única e só tem o David de família… porque acho que Cora e você não contam muito… já eu fico meio que como a coisa mais perto que ela tem de uma tia ou madrinha, sei lá…

    - Ai tadinha da pobre menina rica sem família…- debochei me retirando do quarto e indo para sala fazendo-a me seguir. – faça o como preferir – parei de frente para ela – eu só quero voltar logo para casa… vamos?

    Chegamos na mansão e fomos direto para o local do jantar, mas antes de entrarmos no grande salão David nos parou para nos cumprimentar animado.

    A presença de Zelena o deixou bem feliz, mas eu conseguia ver que nos seus olhos havia um brilho diferente, o brilho do orgulho e da satisfação, confesso que fiquei contente com sua alegria, aquilo não era novidade, eu gostava dele.

    O salão onde todos os eventos eram executados não estava como eu esperava, a grande mesa onde normalmente todos nos sentávamos e comíamos havia sido retirada, dando lugar a algumas mesas, bancos e pufes espalhados, a luz estava mais baixa dando um ar de mistério, um jazz tocando ao fundo dava vontade de permanecer ali… a formalidade deu lugar ao aconchego, o que de imediato me deixou confusa se eu havia gostado ou não.

    - Foi ideia da Emma… – David comentou com a voz levemente ansiosa ao me ver analisar cada detalhe. – ela pediu que fosse mais parecido com uma noite descontraída com petiscos e bebidas do que um jantar formal… não achei que ia gostar muito do resultado, mas olhando agora… ficou bem aconchegante, não acha?

    - É… ficou sim…– sorri de canto para ele.

    - Acha que ela vai gostar?

    - Olha… eu acredito que sim, David… quem eu acho que não vai gostar é a senhora sua esposa.

    - Ah, não se preocupe com isso… – sorriu confiante - Cora pode achar o que quiser, porque essa noite é todinha e exclusivamente para Emma e nada vai mudar isso.

    - Bem – eu sabia que não seria bem assim então resolvi mudar de assunto, não queria estragar a alegria de ninguém – e ai, no que eu posso lhe ser útil?

    - Na verdade não tem nada para fazer está tudo encaminhado, pedi para você vir mais cedo mais como um apoio emocional para mim, confesso que estou ansioso e fiquei com medo de algo dar errado e eu não dar conta… e bem… não quis pedir a Cora para isso… ela ia acabar me convencendo a seguir o padrão dos jantares formais.

    Não havia mesmo nada a ser feito então fiquei conversando com Zelena na varanda do salão a espera dos convidados chegarem. Aos poucos eles foram surgindo, não era um grande evento, apenas os mais importantes da Swan Mills, alguns mais queridos do David e os convidados de Emma, que até ali só a Rose que eu sabia.

    Pelas minhas contas quase todos os convidados estavam lá, acredito que umas 25 pessoas no total, apenas Cora e Emma ainda não tinham dado suas caras.

    - Será que Cora vai descer? – Zelena perguntou para que só eu ouvisse na rodinha de conversa que estávamos.

    - Não acho que ela vá perder esse evento.

    - Você tem razão… olha ela… – disse olhando para o outro lado do salão me fazendo também olhar.

    Cora cumprimentou David com um selinho demorado e acenou sorridente como uma primeira dama para algumas pessoas em seguida. Após algum tempo quando já não tinha tantos olhares em cima dela, ela falou algo no ouvido de David que o fez negar, falou mais alguma coisa fazendo-o negar novamente e a empurrá-la de leve em direção a um grupo de pessoas como se não quisesse conversa.

    Em pouco tempo Cora estava a nossa frente, minha e de minha irmã, com seu permanente sorriso nos lábios

    - Espero que sua presença nessa ocasião seja mera coincidência. – disse ao abraçar Zelena.

    - Não, mãe – minha irmã estava rígida, efeito que Cora nos causava – eu vim pela Emma. – elas se soltaram do abraço, Zelena séria, já cora ainda sorria.

    - Patética… em pensar que não veio no jantar de sua irmã, mas está aqui pela bastarda.

    - Mãe… não… hoje não… hoje eu não lhe permito que me tire do sério. – deu um passo para trás – eu estou aqui pela Emma – Zelena juntou as mãos como uma prece - bom te ver, passar bem. – se retirou indo para o lado oposto.

    - Sua irmã… quando penso que ela vai tomar jeito na vida, ela me da essas rasteiras, não sei o que fiz para Deus me castigar com uma filha tão ingrata.

    - Mãe.. por favor…

    - Mãe por favor nada, Regina. – ficou séria por alguns segundos, mas voltou a sorrir – Zelena mesmo disse que veio para ver a Emma, a filha bastarda irritante do David, mas quando foi no seu jantar de ingresso a Swan Mills, onde ela estava? Heim?… Deus sabe lá onde e o que sua irmã estava fazendo num dia tão importante para nós, o dia em que oficialmente você ocupou o seu lugar por direito, a cadeira de seu pai! – ela resmungava tudo em tom baixo ao me lado onde só eu podia ouvir, para os demais ela estava me contanto algo legal já que seu sorriso era sempre permanente. – E ela ainda tem a coragem de aparecer aqui com a maior cara lavada para vim ver a mimadinha? – cortei minha mãe no instante em que vi Emma entrar.

    - Ela chegou – disse ao dar meio passo em direção ao outro lado da sala em um impulso de sair daquela conversa.

    Eu tive que prender o sorriso ao ver que a senhorita Swan usava um vestido frente única da mesma cor que meu macacão… e que por mais que a peça escolhida por ela tinha um ar mais sexy a tonalidade me mostrava toda a sua neutralidade com aquele evento.

    – Eu vou ter que te deixar para resolver umas coisas do brinde que vai ser feito antes.

    - Feito antes? – ela ia começar a reclamar, mas eu não deixei.

    - Sim depois nos falamos. – sai às pressas.

    Eu sabia todo aquele discurso em relação a Emma de trás para frente que minha mãe tinha na ponta da língua e eu não estava muito disposta a ouvi-lo naquele momento, eu só queria que tudo ali acabasse logo.

    Esperei Emma estar longe o suficiente para me aproximar de David e o questioná-lo sobre o brinde como ele mesmo havia me pedido para fazer.

    - Bem, estou aqui… – ele apenas sorriu como resposta, logo entendi que ele havia esquecido do que tinha me pedido – o brinde, David, você pediu para que quando Emma chegasse eu viesse até você e perguntasse sobre o brinde.

    - Ah sim, verdade tinha mesmo esquecido… não do brinde é claro – sua voz mostrava toda sua animação – ela gostou, me disse que ficou muito melhor do que tinha imaginado – comentou contente eu apenas afirmei com um sorriso não muito animado – bem, o brinde… eu pedi a Emma que quando terminasse de cumprimentar a todos que voltasse aqui… para realizarmos o brinde e enfim darmos início a nossa comemoração, já sinalizei ao Maître para começar a servir o champagne.. e você… bem, você minha querida Regina, gostaria que desse as honras ao iniciar o brinde – de imediato eu travei, por aquilo eu não esperava e antes de dizer não ele prosseguiu – não tem que ser nada demais, só o básico mesmo, pode deixar que o resto eu faço depois.

    - Não, David… por favor…

    - Regina, você é meu braço direito, é quem está treinando-a para trabalhar conosco, quem melhor que você a cara e o corpo da Swan Mills para começar esse brinde?

    Eu bufei aversa a situação, mas infelizmente ele tinha razão.

    - Poxa David, poderia mais uma vez ter falado comigo antes para e preparar alguma coisa né? – falei dura o fazendo rir. – É sério, a partir de agora tente me comunicar as coisas com mais antecedência, pode ser?

    - Pode ser… – ele riu mais uma vez.

    Aqueles dez minutos pareceram eternos enquanto eu tentava bolar algo para dizer sobre Emma e para Emma… ainda mais que eu já tinha feito meu próprio brinde a ela no dia anterior… e aquele era o máximo que eu conseguia.

    A hora havia chegado e David nos levou até o meio da sala, porém mais próximos a parede, onde havia uma espécie de palquinho que eu não tinha visto que estava ali, ou alguém havia colocado só para aquilo.

    O instante em que subimos no palco foi o mesmo em que Emma e eu cruzamos nossos olhares pela primeira vez, até então não tínhamos nos cumprimentado, não que aquela troca de olhar fosse um cumprimento de fato. No segundo seguinte ela me olhou da cabeça aos pés e pareceu intrigada com minha roupa, o que a fez logo buscar meus olhos junto a um leve sorriso de canto, como se quisesse uma resposta, já eu em um impulso completamente involuntário sorri e dei de ombros desviando o olhar para o público a frente.

    David pediu silêncio e logo me deu a palavra. Eu tive que respirar fundo e pedir ajuda ao cosmo para que eu conseguisse dizer algo de útil, não que eu fosse uma escolha ruim para aquele tipo de papel, eu era boa com as palavras, mas ali tinham dois fatores que iam completamente contra: ser a Emma e ter Cora presente.

    - Boa noite a todos, agradeço a presença de cada um, espero que tenham sido bem recebidos… sei que esse momento em particular é sempre feito no final dos jantares já quase na hora de partimos, mas hoje, como podem ver, tudo está fora do padrão… – sorri de leve ao ver o olhar das pessoas felizes com aquilo, talvez a ideia de ser mais como um evento informal do que formal agradasse mais do que eu imaginava – hoje essa noite menos formal e mais aconchegante foi feita especialmente por nosso anfitrião David Swan para sua filha, a senhorita Emma Swan, que como já sabem e bem a conheceram essa semana que passou, ela agora faz parte da diretoria da Swan Mills. – me virei para Emma no instante em que aplausos se firmaram por um curto tempo – Senhorita Swan seja bem vinda a Swan Mills. – Levantei minha taça fazendo não só ela como todos fazerem o mesmo e bebemos um gole em seguida.

    Aquilo foi o melhor que pude fazer e assim que David tomou a frente eu senti meu sangue voltar a circular de forma normal.

    Com sutileza eu fui me afastando para lateral ao lado de Zelena que apertou minha mão ao dizer bem baixinho que eu tinha me saído muito bem.

    O restante do brinde aconteceu com uma grande fala de David e um rápido discurso de sua filha que foi finalizado com muitos aplausos dando oficialmente boas-vindas a Emma Swan na Swan Mills.

    O tempo que se sucedeu eu me desvencilhei a todo o custo de Cora, para onde ela caminhava eu fazia questão de ir para o outro lado, não só e como percebi minha irmã fazer o mesmo, mas havia uma diferença eu sentia que minha mãe queria se aproximar de mim, já de Zelena não.

    As pessoas pareciam estar se divertindo, até mesmo os amigos de longa data de David, que costumavam ser mais rígidos estavam mais soltos. Os convidados se espalharam em pequenos grupos, conversando, rindo, bebendo, comendo. O Jazz antes mais suave naquele momento era um pouco mais badalado fazendo alguns até se movimentarem no ritmo. Não sei ao certo se era exatamente a festa que a senhorita Swan havia pedido ao pai, mas com todas as limitações dele e com Cora no caminho o resultado tinha sido supreendentemente agradável ao meu ver.

    Eu já tinha perdido a conta de quantas taças de champagne eu havia bebido, mas estava bem tranquila ao conversar sobre finanças com a contadora da construtora. Eu amava falar sobre trabalho, aquele era de fato meu segundo hobby preferido e ali com Ingrid onde toda a atmosfera era receptiva o assunto fluía de uma forma que nunca antes acontecera, talvez, só talvez, David tivesse um pouquinho de razão, talvez ter o olhar de sua filha nos negócios nos levasse para lugares que ainda não tínhamos alcançado.

    Olhei ao redor e a uma certa distância, próximas a uma janela vi a senhorita Swan conversar animadamente com Fiona uma das engenheiras chefes, o assunto parecia mesmo muito interessante ao vê-las tão sorridentes, falantes e próximas… de alguma forma insana aquilo me incomodou um pouco… eu não senti vontade de ir atrás de Emma para conversar como todos pareciam querer e mesmo parecendo contraditório já que eu adorava falar de trabalho e o único assunto que eu teria com ela era exatamente aquele, eu não queria me aproximar, não tinha expectativas de levar nossa relação além do tempo de trabalho na Swan Mills… mas ai que está o delírio… como que eu poderia não querer uma aproximação mas ao vê-la lá com Fiona, eu por uma fracção de segundos eu me senti atraída por saber o que a filha do David dizia de tão atraente para fazer a outra sorrir daquele jeito.

    - Boa noite querida Ingrid – a voz de Cora me tirou dos meus devaneios, elas se cumprimentaram e eu me virei em sua direção. – Você poderia nos dar licença? – pediu para a loira que logo se retirou. – é impressão minha ou você está me evitando?

    - Impressão sua. – aproveitei que um garçom passava e troquei minha taça vazia por uma cheia.

    - Não acha que já bebeu demais?

    - Não.

    - Espero que não me faça passar vergonha nesse circo dos horrores – eu a encarei que me olhou séria, mas voltou a sorrir de leve, ficou ao meu lado para poder desfrutar da visão completa do salão, aquele era o sinal de que ela ia começar a despejar sua avalanche em mim. De fora quem nos via acreditava que ali havia apenas uma conversa casual, mas só eu e minha irmã sabíamos o quanto aquele lado a lado era apavorante. – Me conte, qual são seus planos para tirar a sonsa da Swan Mills? – meus olhos se semicerraram de imediato me entregando – Não vai me dizer que não tem um plano? – neguei – como não, Regina? Está querendo perder tudo que construiu?

    - Como assim perder tudo, está me ameaçando?

    - Eu? Quem te ameaça é a bastardinha!

    - Acho que está exagerando, o que é meu, é meu e o que pode vir a ser dela não tem nada a ver com o que é meu.

    - Regina, como que a essa altura da vida você ainda pode ser tão inocente? – me olhou de canto ao me reprovar, mas logo voltou seu olhar para os convidados – ou apenas burra mesmo, por ter se deixado levar tão fácil pela dissimulada…

    - Não estou me deixando levar por nada, mas ainda acho que está exagerando. – meus olhos caminharam outra vez para onde Emma estava e como se eu tivesse um imã ela cruzou seu olhar com o meu, mas eu logo desviei com um pouco de desprezo.

    - Não seja ridícula Regina! – disse entre os dentes ao me encarar com certa raiva, mas como sempre logo se recompôs a sua postura sorridente olhando a frente – Você não consegue ver que o ingresso da bastarda é o início do seu fim? Você acha que ela entrou na Swan Mills para que? Porque ela queria seguir os passos do pai, ou por amor a profissão? Ah Regina! Não se faça de idiota, ela entrou para tomar o seu lugar! Ela é ardilosa, sempre foi, eu a conheço bem, morei anos com aquela peste, na frente do pai um amorzinho, uma santinha, bastava ele dar as costas que ela aprontava, ela tem a índole ruim, Regina, ela não presta, ela vai ali se faz de boazinha para um, depois para outro e quando você vê – ela apontou para o salão – ela mudou tudo, fez uma tradição se transformar em uma… uma baladinha ridícula, ela vai levando todo mundo no sorriso falso para no fim poder nos destruir… que é isso que ela sempre quis fazer, nos destruir… sabe-se lá como foi a criação com a mãe hippie… falando nisso… ela mesma quando mais jovem queria viajar o mundo com a arte ridícula dela, mas ai alguma coisa a fez mudar de ideia… tenho quase certeza que foi o dia do seu jantar de ingresso a Swan Mills… eu acho que ali ela viu o quanto o David te admirava… tenho certeza que foi naquele instante que começou todo seu plano ridículo para tomar seu lugar… e antes que você venha me dizer que estou exagerando, olha com seus próprios olhos – ela apontou para o salão - veja como ela transformou um jantar tão tradicional num circo dos horrores… olhe você mesma para a bastardinha… – olhei para onde ela e Fiona ainda conversavam – além de sonsa ainda é uma sapatão – ela fez uma pequena pausa ao observa-las – deprimente… imunda… ela é mesmo a mistura de tudo que pode se ter de ruim em um ser humano… você não vê, Regina? Não vê elas flertando descaradamente na frente dos nomes mais importante que a Swan Mills tem? Não vê que ela está tentando dar o bote logo na Fiona que é uma das peças mais importante que a Construtora tem? Não consegue enxergar a falsidade exalar dela? Eu não estou apenas te falando, eu estou te mostrando, você está vendo com seus próprios olhos… até sua irmã, Zelena… ela veio a esse evento horroroso e não veio ao seu… aos poucos, se você não tiver um bom plano para colocar essa songa monga pra fora, ela vai aos poucos como erva daninha te tirar do seu lugar de direito.

    Minha mente era literalmente um liquidificador, as palavras de Cora gritavam junto as de David e de Zelena… as minhas próprias quase pareciam não existir, me senti sufocada, confusa.

    Cora disse tudo com tanta certeza junto a sua demonstração ali ao vivo que fazia todos os seus argumentos serem bem convincentes.

    Mas, tinha David que era um bom homem, que sempre me apoiou na Construtora, sempre fez questão de ser muito honesto com as nossas finanças e que sempre admirou muito meu trabalho… ele não seria um cego sendo enganado todo esse tempo pela filha, ou também não seria um louco que estivesse por trás de um plano maligno de colocá-la no meu lugar.

    E Zelena… que se aproximou da senhorita Swan quando ela ainda era uma menina, sempre tiveram uma boa relação, e bem… por mais que nós tenhamos seguido caminhos bem diferentes, eu confiava nela e de certo modo até tinha uma pitadinha de inveja dela ter seguido a vida tão longe de Cora. E por estar longe de nossa mãe e uma boa vida estruturada eu sabia que idiota ou burra minha irmã não era, então não tinha mesmo como Emma também a está enganando.

    - Pense bem no que e te disse e te mostrei, Regina. Você é uma Mills, nasceu para vencer, nasceu para estar no topo e é por isso que eu te digo essas coisas, para você nunca… nunca! Nunca se deixar levar na lábia de um ser tão traiçoeiro como o dessa bastarda. – me encarou satisfeita – eu já me cansei desse evento asqueroso preciso me retirar – me olhou mais uma vez antes de me deixar só com aquele turbilhão em minha mente.

    O garçom passou novamente por mim, o que me fez virar minha taça e logo trocar por outra cheia, olhei ao redor e vi que Zelena me observava ao longe, não tinha como ela saber o que Cora me disse, mas eu sabia que ali ela era a única capaz de saber o quanto eu poderia estar confusa.

    Observei mais um pouco os convidados quando parei em Emma e Fiona, os largos sorrisos já não pareciam tão divertidos, dando lugar a algo mais íntimo… quem falava naquele momento era a morena que vez ou outra fazia questão de tocar no braço da senhorita Swan, de todas as coisas que minha mãe havia insinuado aquela ali parecia bem real e se tinha uma coisa que era extremamente proibido na Swan Mills era o envolvimento dos funcionários, ela poderia ser a filha do dono, mas mesmo assim não seria a única a ter o privilégio.

    Eu não ia bolar plano algum para tirar Emma da construtora, como Cora queria, mas eu ficaria de olho em seus passos e trataria de avisá-la ali mesmo que aquele tipo de comportamento com Fiona era inaceitável.

    Olhei ao redor pela última vez, quando me fixei em Swan, Fiona não estava mais ao seu lado, mas Rose logo tratou de ocupar o lugar vazio, não que aquilo fosse me impedir de algo.

    Certa do que eu ia fazer caminhei em linha reta em direção a filha do David.

    - Aproveitando que finalmente você se desgrudou da Fiona eu vim te dar um recado. – disse de uma vez fazendo Emma e Rose arregalarem os olhos espantadas. – E também aproveitando Rose como testemunha… Acredito que por erro meu, esqueci de te informar que é extremamente proibido se relacionar com qualquer um que esteja trabalhando para Swan Mills. – Rose permaneceu estática já Emma riu ao revirar os olhos.

    - É sério que veio até aqui para isso? Por favor, me poupe…

    - Eu estou falando muito sério senhorita Swan.

    - Ok… eu vou deixar uma coisa bem clara aqui, senhorita Mills – ela debochou meu nome – dentro da construtora você pode até exercer algum domínio sobre meu trabalho e somente em meu trabalho, não na minha vida pessoal… mas fora dela, o que eu faço ou deixo de fazer, com quem eu vou para cama ou não, não é problema seu.

    - É problema meu a partir do momento em que pode nos prejudicar, relacionamentos no trabalho tem uma grande chance de desalinhar as coisas.

    - Relaxa que eu sou bem grandinha e sei separar as coisas.

    - Se sabe separar as coisas, vai ficar bem longe da Fiona ou de qualquer um que trabalhe para gente.

    - E se eu não o fizer? Você vai fazer o que? Me demitir? – provocou.

    - Infelizmente não conseguirei esse feito, mas posso mexer meus pauzinhos para que Fiona seja desligada… ou qualquer outra pessoa que você queira levar para sua cama. E você não quer ser a responsável por uma demissão, ou quer?

    Eu estava firme em minha postura a frente da senhorita Swan, já ela que estava encostada ao parapeito da janela se posicionou mais próxima a mim e me encarou com os olhos levemente semicerrados como se quisesse me desafiar.

    - Aposto que se eu quisesse levar você, você não estaria fazendo esse showzinho agora.

    Eu soltei uma leve gargalhada com tamanha ousadia e tive que respirar fundo antes de prosseguir.

    - Nem nos seus melhores sonhos, senhorita Swan.

    - Fica tranquila que meu padrão de sonho é bem mais elevado – piscou debochada ainda com aquele olhar desafiador – e sinceramente? Eu não vou ficar aqui ouvindo esse seu blábláblá, se a senhora não tem mais o que fazer então peço por favor, que não me atormente novamente. – sua voz era vitoriosa, deu um passo para se afastar de mim, mas recou de leve falando próximo ao me ouvido para que só eu escutasse – eu vi Cora te envenenando antes de você vir aqui – me afastei um pouco para lhe encarar incrédula – uma mulher como você com tanto potencial deveria ser no mínimo mais autêntica e ser dona das próprias ideias em vez de seguir tudo que a mãe diz – ameacei dizer algo, mas nada saiu – não sei se você sabe, mas isso que você vive com ela é uma relação abusiva, se não sabe o que é procure se informar. – finalizou ao se retirar, Rose foi junto.

    Bufei sozinha e revirei os olhos com raiva ao absorver toda aquela rápida discussão. Como que ela conseguia me falar aquelas coisas com tanta naturalidade? Como que ela diferente de todas as pessoas não se sentia intimidada por mim? Como que ela tinha a coragem de me faltar o respeito daquele jeito?

    Sem respostas, por um segundo eu quase dei razão a Cora, mas logo espantei aquele pensamento.

    - O que aconteceu aqui? – Zelena me questionou ao se aproximar.

    - Nada. – minha voz saiu sem emoção – espero que tenha um bom resto de final de semana com a sua querida Emma e que faça uma boa viagem de volta… passar bem. – encerrei ao me afastar, já tinha dado para mim eu precisava ir embora.

    Minha cabeça latejando me tirou cedo da cama naquele domingo. Tomei um remédio e preparei um chá, sentei-me na ilha da cozinha e aos poucos os acontecidos da noite anterior foram tomando forma.

    Revivi alguns momentos, principalmente a discussão com a senhorita Swan, na verdade uma coisa em específico que ela havia dito rodava em looping em minha mente: “uma mulher como você com tanto potencial deveria ser no mínimo mais autêntica e ser dona das próprias ideias em vez de seguir tudo que a mãe diz”

    Como assim eu não era uma mulher autêntica? Eu sempre fui atrás dos meus sonhos, sempre fui firme com minhas ideias, sempre falei a verdade quando era necessária… eu era uma mulher de 37 anos, com uma carreira bem-sucedida graças a minha dedicação, tinha um apartamento maravilhoso que eu mesma havia projetado, viajava a trabalho e também a lazer para onde eu desejava, tinha meus casos e sempre fui clara com eles de que não me envolvia amorosamente, como que aquilo não é ser uma mulher autêntica?

    Uma certa raiva me subiu a cabeça me fazendo bufar sozinha com meus pensamentos.

    - Idiota… – resmunguei.

    Logo em seguida me veio a fala de Cora “além de sonsa ainda é uma sapatão… deprimente… imunda… ela é mesmo a mistura de tudo que pode se ter de ruim em um ser humano” aquelas palavras me causavam uma repulsa que era difícil chegar a uma conclusão.

    Eu sabia que Cora sendo a Cora qualquer coisa que viesse fora do padrão mais padrão seria descartado por ela, mas ouvir de sua boca o nojo com que falou aquelas palavras era até um pouco assustador, como que é possível um ser humano sentir tanta objeção com a sexualidade de outra pessoa? E se ela descobrisse que eu mesma também me relacionava com mulheres? Aquele assunto era tão restrito a mim que nunca tinha se passado pela minha cabeça minha mãe descobrir tal coisa… mas com suas palavras sobre Emma ainda ecoando fazia uma vontade louca de ir até ela e cuspir minha sexualidade em sua cara… não que eu fosse fazer aquilo, mas eu sentia aquela força vir de dentro do meu ser, quase como um grito para que eu não só me revelasse como também me rebelasse.

    Voltei a pensar no que Swan havia dito, sobre meu relacionamento com minha mãe ser abusivo… eu era uma mulher feminista, ligada em muitas causas, entendia bem como eram os relacionamentos abusivos entre casais e familiares, mas nunca tinha ligado minha vida a aquilo e por mais que eu tenha achado um absurdo quando a ouvi dizer, ao passear por algumas lembranças eu comecei a duvidar de quem eu era.

    Com muitas dúvidas e certa irritação resolvi buscar ajuda na internet, que foi quando me deparei com um vídeo sobre “mães abusivas e narcisistas” aquele foi apenas o primeiro de muitos relatos que assisti naquela manhã.

    “quando se está em uma relação abusiva é quase impossível se ver em uma relação abusiva, a gente acaba acreditando que aquilo é normal e que somos merecedores do abuso”

    A fala daquela mulher de 30 anos que havia acabado de descobrir que passou a vida com uma mãe narcisista caiu como uma luva em mim.

    Chocada, confusa, triste, irritada e com muitas e muitas memórias surgindo em minha mente eu consegui chegar em uma conclusão, não ia ser fácil, mas eu precisava me libertar de Cora.

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